De volta ao conto de fadas...
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Volto agora aos jardins de margaridas, de jasmins e de violetas, a beira do lago que refresca minhas lembranças, onde os sorrizos brilham e os sons da esperança são entoados com douçura. Tudo se foi por um tempo, por algum encantamento provocado por doses asquerosas de realidade brutal. Mas ao voltar trago boas novas, trago essencia de rosa e ramos de alecrim, me devolvolveram um pouquinho de inocência e me deram um novo coração. Fiquei um tempo longe, atravessando desertos escuros, tuneis sombrios, vi monstros, bruxas, fantasmas, fiquei assustada e quase desisti, mas ai eu vi que sempre que passava da tempestade alguma criatura encantada me deixava na estrada com um pedacinho de si. Alimentei minha alma com carinho e rizadas, dei a ela um pouco de paz, recebi alimento do vento, que levou embora meu tormento abrindo o céu para que eu pudesse enxergar de novo as constelações. Depois de caminhar sozinha arrecadei harmonia, paciência e perceverança, criei asar de borboleta e fiquei leve como as penas de um beija-flor. Encherguei no horizonte letras e traços distantes, rabiscados em nuvens de algodão, me aproximei de novo da mágia e perdi o medo da fantasia, da qual tentava fugir. Dos amores que despejaram água em minha face fiz trancender a dor, tornei-a força e coragem e ergui um castelo de esplendor. Voltei em nova fase, na minha bagagem uma cesta de maças maduras, um lenço umedecido com choro para regar minhas folhas secas, notas músicais recitadas por querubins, que conduziram meus passos de regresso me aproximando de mim. Voltei como criança, descobrindo de novo o ritimo circular, brincando de ser feliz, rolando nas gramas macias e balançando num galho de árvore. Agora sigo em frente, complacente a renovada, sem dúvidas ou mágoas, tenho somente minhas palavras compondo sentimentos, minhas mãos tecendo mantos dourados pra proteger os corações amargurados. Não tenho mais relógio nem idade, não conto mais as horas para a liberdade, voo por ai despejando felicidade, não tenho mais cidade, país ou religião, não acredito mais nos tambores descompaçados, nas trombetas que anunciam o final, alías não acredito mais em nada que não seja imortal. Eu sou agora a sabedoria, a serenidade do dia, eu sou, eu sou, eu sou....